14 de fev de 2013

contra-senso


que seja minha mácula toda a pureza moral que neles
quero saber de tudo os desinteressantes
duvidar daquilo que for absoluto pra deus
e que deus duvide das minhas certezas.
quero fazer uma prece ao contrário
contrariar, contradizer, contrapor, contraser
quero girar no caminho daqueles que passam apenas reto.
quero que eles não saibam dizer quem sou eu
não quero saber quem são eles
quero que eles não compreendam.
quero inventar uma palavra e inventar um idioma e inventar uma civilização
inventar as histórias os contextos e fazer da invenção a realidade
quem há de garantir que não é real?
mas eles não hão de saber dizer quem sou eu, quem são eles. eles não hão de entender o que digo.
tudo o que é meu parecerá dissimulado e eles hão de dizer que ajo feito ninguém.
é então que terei cumprido, desamarrado toda a minha referência e me desprendido de qualquer intenção de ser e estar.
quero contraser.
não me basta a existência se nela eu não invento
não me basta a existência se ela eu não modifico
não me basta existir como se não existisse.
que eu exista neles
e resista à toda consistência
e consista uma potência
e potencialize a crença
de que tudo existe
e resiste
e é.